No cargo da seleção brasileira há 15 anos, José Roberto vive, talvez, o momento de maior pressão. Depois dos ouros olímpicos em Pequim 2008 e Londres 2012, o time foi quinto colocado na Rio 2016 e, apesar do título do Grand Prix do ano passado, passa por um difícil processo de renovação. O próximo grande evento é o Campeonato Mundial, que começa no fim deste mês. Um título que o Brasil ainda não possui, foi três vezes vice. Para o treinador, o torneio tem um grande favorito:

“Chegaremos com chances, como todos os times. São times muito iguais, tanto que fizemos vários tie-break aqui (no Montreux, contra Itália e Turquia). Os EUA estão na frente das demais. A China, que não veio completa para cá, a Sérvia, Itália…Está muito equilibrado, exceto os EUA. O Brasil está nesse bolo de outras cinco seleções para brigar pelo título Mundial”

A seleção brasileira ficou na quarta posição no Masters de Montreux, tradicional competição preparatória para o Campeonato Mundial. Perdeu no tie-break para Polônia, ainda na primeira fase, Itália, na semifinal, e Turquia, na disputa do bronze. Venceu a Rússia, na partida em que José Roberto Guimarães disse ter visto a melhor atuação do time, e o fraco time de Camarões. Ele avalia o desempenho:

” Eu acho que a gente foi inconstante, com altos e baixos, e é o que a gente precisa melhorar. Recuperar as que estão lesionadas e precisando jogar, caso da Fernanda que voltou, a Natália, que já treinou saltando, as meninas que estão no Brasil (Tandara, Bia e Fernanda Tomé). Esse é o intuito, sabíamos das dificuldades, mas precisamos acelerar a preparação. Temos a infelicidade de termos várias lesões, várias estão se recuperando. Infelizmente é isso que acontece. Tem que dar o tempo para elas se recuperarem, foi assim com várias jogadoras esse ano” – disse.

Apesar do histórico de três medalhas de ouro olímpicas, duas com o time feminino e uma com o masculino, José Roberto Guimarães tem sofrido críticas neste ciclo olímpico.

” O que acontece no brasil é que o pessoal cobra, fazer o quê? E eles têm razão, porque estamos entre os melhores times do mundo. Faz parte, quando perde acontece isso. Mas tem a parte do aprendizado para as jogadoras, elas amadurecem” – disse.

Na Liga das Nações, o Brasil foi quarto colocado também, após duas derrotas por 3 a 0 na fase final, para China e Turquia, e uma primeira fase de altos e baixos. O quarto lugar no Masters não é para ser comemorado, e José Roberto lamentou algumas chances perdidas de ir ao pódio, tanto no jogo deste domingo, pelo bronze, como na semifinal contra a Itália. Mas o treinador fez uma lembrança:

” Não tiramos a musculação delas, continuamos trabalhando isso aqui. A preparação não era para esse torneio. Estamos em uma fase de ganho, para tentar melhorar nossa capacidade física. Algumas jogadoras já estão atingindo legal, e algumas ainda estão precisando, como a Fernanda, a Natália, a Thaisa, Tandara e Bia que ficaram no Brasil, mais a Fernanda.

Tandara tem sido, neste ciclo, o principal nome da seleção brasileira, e a bola de segurança nas principais partidas. Ela não viajou para a Suíça, seguiu no Brasil se recuperando de uma lesão. José Roberto torce pela recuperação total da atleta:

” É difícil dizer, ela está cuidando da preparação, está melhor, está treinando, está tudo em ordem, espero quer sim (que ela esteja 100%), a esperança é a melhor possível, ela está treinando normal, ela teve uma boa presença na Liga das nações”.

Nas centrais, o técnico parece não ter dúvidas em chamar para o Mundial Adenízia, Carol, Thaísa e Bia, essa última ainda se recuperando de uma pequena luxação que sofreu ao comemorar um ponto no mês passado.

” Não vejo duelo entre elas pela titularidade, vejo um somatório. O Mundial é um campeonato diferente, são 13 jogos até a final, então a gente precisa das quatro centrais nas melhores condições. Perdemos a Bia, com uma luxação em uma comemoração, mas quero ter as quatro na melhor condição” – disse.

O Brasil ainda está a procura de uma oposta para ser reserva de Tandara. José Roberto tem testado Rosamaria, que é ponteira, e Monique.

“Está sendo bom para Rosamaria jogar de oposta também, ela ter essas duas opções. A Monique jogou em vários momentos aqui na Suíça, mas ela teve um probleminha na preparação”

A seleção brasileira volta para o Brasil, se reúne por pouco mais de uma semana e, no fim do mês, embarca para o Japão. O Mundial começa no dia 29 de setembro, e o Brasil estreia contra Porto Rico. Depois, enfrenta República Dominicana, Sérvia, Quênia e Cazaquistão. Os quatro primeiros avançam de fase.

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