Uma bebê de 1 ano e 20 dias morreu em Mafra, região norte de Santa Catarina, depois de esperar por cerca de 15 horas para ser transferida de hospital. De acordo com a Polícia Civil, que está investigando o caso, o transporte da criança demorou porque a ambulância que a levaria a outra unidade estava sem combustível.

Heloísa estava internada no Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra, com suspeita de pneumonia. Na madrugada do dia 8 de junho, o quadro da bebê se agravou, e a transferência para o Hospital Infantil de Joinville foi solicitada, já que não há Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Pediátrica no hospital de Mafra

Mesmo com a transferência autorizada, a família da pequena Heloísa enfrentou uma longa espera para conseguir realizar a mudança de unidade. A única ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Mafra que poderia fazer a transferência da menina estava sem combustível, e o abastecimento do veículo não foi autorizado.

De acordo com o delegado Nelson Vidal,responsável pelo caso, a equipe médica do hospital e os pais da bebê se ofereceram para pagar o abastecimento da ambulância. No entanto, as ofertas foram negadas por uma questão burocrática: o veículo público não poderia ser abastecido por terceiros.

– A ambulância para transferência foi solicitada na manhã do dia 8, mas a menina só conseguiu chegar ao hospital no dia seguinte. É um caso bem grave. Estamos ouvindo todos os envolvidos e vamos verificar todas as provas. Vamos entender os motivos pelos quais o abastecimento não foi autorizado e levaremos o laudo da morte da menina para que peritos isentos possam avaliar se ela teria tido chances de sobreviver caso tivesse sido atendida antes – disse.

A equipe do hospital ainda tentou fazer a transferência por outros meios. No entanto, o mau tempo impediu o transporte por helicóptero. E a ambulância de uma cidade próxima não estava com o quadro médico completo.

A transferência da menina aconteceu após o acionamento de uma ambulância da cidade de Canoinhas. O veículo, porém, não tinha combustível suficiente para chegar em Joinville e Heloísa precisou passar para outra ambulância, vinda de Jaguará do Sul, em um posto de gasolina. Horas depois, ela chegou ao Hospital Infantil de Joinville.

Em um vídeo publicado no Facebook, o tio da bebê, Alexandre Lisboa, falou sobre a dificuldade na transferência e lamentou o ocorrido.

“No desespero, meu irmão aceitou essas condições. Eles levaram mais de uma hora para transferir a minha sobrinha de uma ambulância para a outra em um posto de combustível. Eles saíram 11h da noite da cidade de Mafra e chegaram 2h da manhã na cidade de Joinville. Só que nessa transferência de uma ambulância para a outra, a minha sobrinha teve três paradas cardíacas. Isso poderia ser evitado”, disse.

Heloísa morreu no dia 10 de junho, após três paradas cardíacas, motivadas por complicações decorrentes da pneumonia. Para o delegado Nilson Vidal, caso seja comprovado um crime no caso, os culpados podem responder por homicídio doloso ou culposo.

– Durante a investigação, vamos poder compreender melhor o que aconteceu e se há um crime. Caso ele seja constatado, os responsáveis podem responder por homicídio culposo ou doloso – disse.

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